Apresentação

Tiago Resende Botelho

Resumo


Segundo o inventor de língua de brincar Manoel de Barros (2016), as palavras possuem deslimites, transcendendo, muitas vezes, seus sentidos gráfi cos. Para o poeta, o vazio também completa, órgãos de morrer podem predominar em vida, ouve-se o tamanho oblíquo de uma folha e a independência, muitas vezes, está algemada. O encantador de palavras busca demonstrar a importância das coisas ínfi mas, do cotidiano escondido, das coisas supostamente inexistentes, do mundo das borboletas. Segundo o autor, para apalpar a intimidade do mundo, é preciso desaprender 8 horas por dia e desinventar objetos. Mesmo porque “as coisas não querem mais ser vistas por pessoas razoáveis”.
Se nem as coisas querem ser vistas por pessoas razoáveis, imaginem as vidas humanas e não humanas. É exatamente preocupada no deslimite das palavras científi cas que a edição 2018.2 da Revista Videre apresenta-se às comunidades nacional e internacional. São pesquisas que se comprometem com a “outra”, o “outro”, os condenados, os vazios, as vidas interrompidas, os sonhos vilipendiados e o Brasil democrático. Os estudos que serão lidos são grafi as de homens e mulheres que escolheram dedicar suas vivências aos estudos, aos muitos deslimites do viver. O lançamento dessa nova edição da Revista Videre está inserido em um tempo e espaço conturbado da sociedade brasileira, principalmente para aquelas e aqueles que acreditam na poesia, no Estado Democrático de Direito, nos Direitos Humanos e na educação pública de qualidade e sem amarras. O ano de 2018 trouxe à tona um Brasil dividido por projetos civilizacionais antagônicos, principalmente no que tange ao enfrentamento à desigualdade social, à utilização dos recursos naturais, aos direitos previdenciários e trabalhistas, à liberdade de cátedra, à defesa do Estado Laico e à efetivação dos Direitos Humanos e Fundamentais.


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DOI: https://doi.org/10.30612/videre.v10i20.9239

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