ANIMALIDADE NO HUMANO OU HUMANIDADE NO ANIMAL?

Adriana Werneck Regina

Resumo


Por meio da mitologia explicativa da origem da mulher na realidade panará e, das práticas sociais a ela vinculadas, é discutida a noção de corpo que nelas se expressa. É dada atenção aos termos e às qualidades valorizadas quando se reconhece o estatuto de subjetividade dos não humanos e de si mesmo. O artigo explora como o jaburu e os humanos são simbolizados identificando o comportamento, o afeto, a fisionomia e os saberes transversais a eles. O Panará se casou com a ave jaburu tornada humana, nas atuais características físicas dos corpos humanos inscrevem-se qualidades do jaburu que, por sua vez, reincidiam em suas formas corporais animal e humana na ancestralidade, quando alterava o seu corpo. Pessoas altas são apreendidas como descendentes deste não humano. A diminuição do tamanho das gerações atuais é explicada pelo não cumprimento das regras que a ave ensinou revelando a descendência animal como imanente, independente da característica física realizar-se concreta ou potencialmente. As subjetividades não humanas atuaram na configuração do modo de viver panará, sendo discernido de qual sujeito aprenderam tal prática social. A alteridade com a anta e a cutia também serão exploradas discernindo quais aspectos físicos e culturais são reconhecidos nos corpos humanos do povo panará que revelam a ingerência destes não humanos. As noções de animalidade e humanidade são instrumentos empregados para controlar o que há de animal e humano na constituição de uma subjetividade. A narrativa demonstra como a metamorfose corporal, a mudança cultural e as coletividades não humanas estão inter-relacionadas. sendo o panará um povo classificado como jê setentrional, este estudo contribui para o reconhecimento de um perpétuo dinamismo na construção das relações sociais fundado na abertura para a interação com as novidades. 


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