Mundos de Mulheres no Brasil: “escrevivendo” uma experiência de construção

Ana Maria Veiga

Resumo


Os encontros de mulheres das mais diversas, sob o guarda-chuva instrumental dos feminismos, realocam teorias e práticas e provocam uma novidade acadêmica que é social e que acontece em primeira pessoa, no eu e no nós. Ele só pode tomar lugar na criação conjunta e no espaço coletivo, pois, se coalizão passa a ser o termo mais adequado para se chegar à mobilização feminista, isso não se dá sem as perspectivas das sensibilidades, das emoções e da solidariedade, trazidas para o âmbito acadêmico, fazendo transbordar suas margens. Este ensaio trata da realização de um dos maiores eventos transnacionais de aporte feminista, ao mesmo tempo em que situa conceitos que traduzem o entrelaçamento de sujeitos/as que transitam no mínimo entre dois territórios – o acadêmico e o dos ativismos –, estes atravessados por questões específicas de subalternidades e territorialidades não centrais. O evento internacional Fazendo Gênero/Mundos de Mulheres realizado em Florianópolis em 2017 foi construído como resposta às demandas do tempo presente no Brasil, considerando sua inserção latino-americana, as raízes indígenas, negras e populares; as incursões pela matriz africana, passando por encruzilhadas epistemológicas propostas pelas mulheres negras, o pretuguês, o pajubá e outras (in)visibilidades. Por isso a necessidade de virar do avesso esse evento e narrar seus bastidores, defendendo o argumento de que as teorias feministas estão hoje na encruzilhada entre a urgência e a qualidade, buscando desviar daquilo que não seja prática e não se reverta em ação ou fato de transformação social.

Palavras-chave


Fazendo Gênero/Mundos de Mulheres. Feminismos. Sensibilidade. Política.

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DOI: https://doi.org/10.30612/mvt.v6i10.10701

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