A ATTAC. Um movimento social transnacional?

Santiane Arias

Resumo


No fim dos anos 1990, surgiram em diversos países sedes dos encontros das organizações internacionais manifestações de oposição à financeirização da economia e das políticas neoliberais, resultando no início de um novo movimento autodenominado altermundialista. Das marchas de protestos cada vez mais constantes nasceu o projeto do Fórum Social Mundial (2001). O altermundialismo foi apresentado por grande parte da literatura como um movimento novo, plural, não-hierárquico, transnacional, transclassista e pós-material. A proposta deste artigo é problematizar essas teses, redimensionando-as a partir da análise do caso da ATTAC (Associação pela Tributação das Transações Financeiras para o Apoio aos Cidadãos), uma das entidades mais implicadas e identificadas com o movimento. Para tanto, buscou-se aqui pensar de maneira articulada o programa político da associação; sua composição e forma de organização à luz das transformações em curso com o avanço do neoliberalismo. Sem perder de vista a importância da confluência altermundialista na legibilidade do processo de constituição e atuação da ATTAC, a análise detida do seu caso colocou em evidencia: a) a forte homogeneidade social da associação; b) a relação com estruturas organizacionais “tradicionais”, como o sindicato; c) a dinâmica interna contrastando inúmeras vezes com o discurso da horizontalidade; d) a importância da reconfiguração das relações laborais na mobilização dos seus integrantes; e) a forte base nacional da sua atuação.

Palavras-chave


Altermundialismo. Neoliberalismo. Movimentos sociais transnacionais.

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DOI: https://doi.org/10.30612/rmufgd.v7i13.8725

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