A Política Externa Afirmativa do Brasil: movimento negro, Estado e Política Externa Africana em Geisel e Lula

Bruna Ribeiro Troitinho, Igor Castellano da Silva

Resumo


O aprofundamento da política externa africana do Brasil assumiu contornos claros no governo Geisel (1974-1979), que a submetia aos interesses do processo de substituição de exportações e a emoldurava em discurso culturalista de reforço ao mito da democracia racial, claramente descolado das demandas do movimento negro. No governo Lula (2003-2010), o Brasil superou parcialmente esse discurso e aprofundou a política externa africana. Aprimorou os conhecimentos sobre a cultura e economia do continente e aplicou uma política externa focada na cooperação para o desenvolvimento, em consonância com o estabelecimento de políticas domésticas afirmativas para a comunidade afro-brasileira. Assim, questiona-se por que houve mudança na política externa africana do Brasil entre Geisel e Lula? A hipótese é que a mudança na política externa brasileira entre Lula e Geisel – uma mudança de programa – deveu-se a mudanças na característica do Estado e na sua interação com a sociedade, especificamente o movimento negro. O objetivo central da presente pesquisa é identificar as características e as causas da mudança na política externa africana entre os governos Geisel e Lula, focando nas relações entre Sistema Internacional, Estado e sociedade, especialmente o movimento negro brasileiro.

Palavras-chave


Brasil. África. Política Externa Afirmativa.

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Monções: Revista de Relações Internacionais da UFGD - ISSN 2316-8323 - Dourados - MS, Brasil.

 

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