Espaço social e simbólico do negro na produção acadêmica brasileira das Relações Internacionais no século XXI

Blenda Santos de Jesus

Resumo


O Brasil foi o último país das Américas a abolir o comércio transatlântico de pessoas, e, ainda hoje o afrodescendente sofre com a marginalização de sua figura, em razão do embranquecimento da sua identidade e conhecimento. Essa prática, conhecida como colonialismo epistemológico, atinge principalmente, mas não exclusivamente, a produção acadêmica das Relações Internacionais (RI). Nesse contexto, o presente artigo objetiva analisar a representação das relações raciais na produção acadêmica brasileira das Relações Internacionais no século XXI. Para isso, investigamos quais vozes são predominantes nas RI e por quê, seguida de uma contextualização do negro na construção do discurso social e simbólico brasileiro, e a identificação de sua figura na produção acadêmica brasileira das RI. Utilizou-se abordagem metodológica de natureza qualitativa e quantitativa, com método de investigação dialético. Quanto aos procedimentos metodológicos, foi realizada revisão de literatura nacional e internacional e levantamento da produção acadêmica nacional stricto sensu.


Recebido em: setembro/2019.

Aprovado em: março/2020.

 


Palavras-chave


Negro. Colonialismo epistemológico. Relações Internacionais.

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DOI: https://doi.org/10.30612/rmufgd.v8i15.11545

Monções: Revista de Relações Internacionais da UFGD - ISSN 2316-8323 - Dourados - MS, Brasil.

 

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