O debate acerca do estado e sua ‘internacionalização’: contribuições da Teoria Crítica e do Marxismo para as Relações Internacionais

Ana Saggioro Garcia

Resumo


O artigo objetiva apresentar o marxismo como teoria das Relações Internacionais. Para isso, trazemos algumas das premissas básicas e aspectos metodológicos relevantes da leitura de Marx. Logo, fazemos um breve balanço do amplo debate sobre a natureza do Estado e as relações de classes. Para isso, nos baseamos em dois expoentes clássicos do marxismo no século XX, Antonio Gramsci e Nicos Poulantzas. Por fim, procuramos apresentar os reflexos da metodologia marxiana e do debate sobre a relação entre Estado e classes sociais, e Estado e sociedade civil, para as formulações teóricas das Relações Internacionais, trazendo as ideias centrais de dois de seus expoentes, Robert W. Cox e Leo Panitch. Estes autores trabalham os conceitos de hegemonia, império e a ideia de ‘internacionalização do Estado’, que consideramos uma categoria original da teoria crítica e marxista para as Relações Internacionais. Espera-se poder contribuir com agendas de pesquisa inovadoras e críticas nas Relações Internacionais, que possam dar conta da conjuntura internacional cada vez mais complexa que hoje vivemos.

Recebido em: setembro de 2019

Aceito em: fevereiro de 2020

 


Palavras-chave


Marxismo. Metodologia. Teoria do Estado. Imperialismo. Hegemonia.

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DOI: https://doi.org/10.30612/rmufgd.v8i15.11536

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