“E o nosso sangue, ecoa e grita: PERIFERIA!”. Poesia marginal, lugar e territorialização.

Nilson Almino de Freitas, Vicente de Paulo Sousa

Resumo



O artigo tem como objetivo abordar a periferia enquanto espaço geográfico tendo como fonte a cena poética criada pelo Slam da Quentura e Batalha do TN. Ambos movimentos são realizados sob a vertente da cultura de rua. Apoiados em literatura a discussão sobre literatura menor ajudou a entender algumas circunstâncias versadas sobre a periferia por poetas e rappers. A reflexão teórica adotada teve contribuições da História Oral, da geografia cultural, da antropologia visual e ajuda do método da videografia, com inserção efetiva no campo pautada nos moldes da pesquisa etnográfica, acompanhada com técnicas da linguagem do documentário. A cena poética e o recitar, desmistificam a periferia enquanto espaço somente de ocorrências negativas, como é constante aparecer nos meios midiáticos. Os versos revelam experiências positivas e resistências o que investem em desterritorializações, territorializações e reterritorializações expressas por esses agentes que versam sobre seus territórios específicos, chamados de periferia.


Palavras-chave


cena poética; Periferia; Território; Geografia cultural

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DOI: https://doi.org/10.5418/RA2019.1528.0003

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