A fraternidade como horizonte decolonial dos direitos humanos

Autores

DOI:

https://doi.org/10.30612/videre.v17i36.20025

Palavras-chave:

Feminismos, Meio Ambiente, Retrocesso, Kaiowá

Resumo

Esta pesquisa analisa as contradições do discurso hegemônico dos direitos humanos, que, apesar de sua pretensão universal, reproduz exclusões étnicas, de gênero e coloniais. O problema central reside na tensão entre a universalidade abstrata dos direitos humanos e sua aplicação concreta, marcada por violências estruturais. Como alternativa, investiga-se o princípio da fraternidade, que propõe um direito não violento, baseado em responsabilidade mútua e cosmopolitismo. Metodologicamente, articula-se análise teórico-crítica do direito fraterno com estudos decoloniais e casos empíricos, como as lutas Guarani pela terra e os feminismos latino-americanos. Os resultados indicam que os direitos humanos hegemônicos perpetuam a colonialidade, que a fraternidade oferece um modelo jurídico ecológico e pluralista e que os movimentos sociais, ao reivindicarem direitos como corpos-territórios, ressignificam o direito a partir de epistemologias marginalizadas. Conclui-se que a efetiva emancipação exige desvincular os direitos humanos do Estado-nação e adotar uma ética fraterna e decolonial.

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Biografia do Autor

Stéphani Fleck da Rosa, Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS

Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Direito da UFRGS.

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Publicado

2025-06-15

Como Citar

Rosa, S. F. da. (2025). A fraternidade como horizonte decolonial dos direitos humanos. Revista Videre, 17(36), 152–166. https://doi.org/10.30612/videre.v17i36.20025

Edição

Seção

Artigos