Representações da maternagem inata e violências simbólicas de gênero
DOI:
https://doi.org/10.30612/videre.v17i36.18050Palavras-chave:
Maternagem, Maternidade, Mulher, GêneroResumo
O objetivo do trabalho é analisar que os conceitos de maternidade e maternagem são tratados como sinônimos, isto é, possuem em si as mesmas definições. Observa-se, no entanto, que tais conceituações possuem sentidos distintos que necessitam de evidência no tocante aos assuntos feministas, haja vista que, sob um regime patriarcal, as representações sobre maternidade e maternagem decorrem de produções ideológicas e políticas, definindo papéis, tarefas e relações de poder entre sexos. Neste sentido, a problemática reside em investigar os diferentes valores historicamente construídos acerca da maternidade e maternagem e suas reverberações no exercício da Lei 13.509/17, a qual trouxe importantes alterações ao Estatuto da Criança e do Adolescente no tocante à entrega legal de criança para adoção, concluindo que a legislação atual ainda apresenta incongruências, as quais invisibilizando a mulher, torna-se um espelho e espaço de reprodução de violências simbólicas perpetradas face os estereótipos de gênero e opressões historicamente consolidadas.
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