Eventos meteorológicos extremos de temperatura: a incidência de ondas de calor em Rio Claro - SP, com base em diferentes metodologias analíticas
DOI:
https://doi.org/10.55761/abclima.v35i20.18053Palavras-chave:
Ondas de calor. Evento meteorológico extremo. Temperatura. Rio Claro. Climatologia.Resumo
A eminência e constatação de um aquecimento global tem alertado a sociedade e cientistas sobre a frequência, intensidade e impactos dos eventos meteorológicos extremos. Sobre este assunto o presente artigo teve o intuito de analisar e comparar diferentes metodologias utilizadas para identificação de ondas de calor ocorridas na cidade de Rio Claro, cidade de porte médio, localizada no interior de São Paulo. Para a execução da pesquisa foram utilizados dados diários de temperatura máxima e mínima, entre os anos de 1994 a 2023. Cada metodologia selecionada: WSDI-OMM, IPCC, Silveira (2014) e Diaz et al. (2002) apresenta uma característica específica e abrange dias de permanência e intensidade diferentes das ondas calor. A exemplo, o índice utilizado pela Organização Meteorológica Mundial (WSDI) considera como onda de calor ao menos 6 dias consecutivos com temperatura máxima maior ou igual a 5°C em relação a temperatura média do período de referência, enquanto Diaz et al. (2002), considera ao menos 2 dias com temperaturas máximas e mínimas superiores ao Quantil 90. As ondas de calor foram contabilizadas em períodos sazonais, anuais e decenais. Identificou-se que os períodos de maior frequência às ondas de calor ocorrem nos meses de primavera e verão. Houve um aumento no número de eventos extremos nos últimos anos, notadamente na década de 2014 a 2023, com 48% das ocorrências verificadas pelas técnicas de Silveira e Diaz, 62% dos episódios registrados pelo índice da OMM e 77,8% das ocorrências registradas, nas três décadas analisadas, a partir do índice proposto pelo IPCC.
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