Avaliação dos efeitos da arborização nas variáveis de temperatura e umidade relativa do ar na cidade de Manicoré, Amazonas, Brasil

Autores

DOI:

https://doi.org/10.55761/abclima.v32i19.16453

Resumo

A expansão da área urbana de Manicoré-AM, devido o aumento populacional, tem impulsionado o desmatamento na região. Com isso, a redução constante de corpos arbóreos implica em alterações meteorológicas significativas, tais como o aumento da temperatura e a diminuição da umidade. Logo, o objetivo deste estudo foi avaliar os efeitos da arborização no comportamento da temperatura do ar e umidade relativa do ar em ambiente interno de diferentes tipos de casas na cidade de Manicoré-AM. Os dados foram coletados em Dezembro/2021, Janeiro/2022 (período chuvoso), Junho e Julho/2022 (período seco) por oito termo-higrômetros. Estes operaram mensalmente, fazendo leituras das variáveis a cada 10 minutos. A dinâmica das médias horárias da temperatura e umidade relativa do ar para os períodos chuvoso e seco, foram exibidas em gráficos de linha. Além disso, foi empregado o teste não paramétrico de Mann-Whitney (α = 0,05) para comparar a distribuição de cada variável em função das áreas arbórea e não-arbórea para cada período hidrológico. Com isso, verificou-se que, durante o período chuvoso, a temperatura no interior da casa de madeira não se difere entre as áreas. Já a umidade não se difere apenas para a casa de laje. No período seco, a casa de madeira também não apresentou diferença estatisticamente significativa na temperatura em termos das áreas. Já com relação à umidade, todas as casas apresentaram diferenças. De modo geral, nas áreas arbóreas, a mediana da temperatura, para cada tipo de casa, é sempre menor que a das áreas não-arbóreas e a umidade do ar se revela sempre maior. Assim, áreas arborizadas podem promover um ambiente mais adequado para o ser humano, pois favorecem temperaturas menos elevadas e maiores níveis de umidade, quando comparadas com áreas desprovidas de corpos arbóreos.  

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Biografia do Autor

Hilma Magalhães de Oliveira, Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais, Universidade Federal do Amazonas (UFAM)

Graduada em Engenharia Ambiental pela Universidade Federal do Amazonas ? UFAM (2019) e Especialista em Gestão Ambiental pela Faculdade Única de Ipatinga/Instituto Prominas (2020), integrante do Núcleo de Estudo e Pesquisa em Direitos Humanos e Educação ? NEPDHE do Instituto de Educação Agricultura e Ambiente ? IEAA/UFAM, Campus Humaitá-AM. Atualmente é mestranda no programa de pós-graduação em Ciências Ambientais do Instituto de Educação Agricultura e Ambiente ? IEAA/UFAM.

Juliane Kayse Querino, Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais, Universidade Federal do Amazonas (UFAM)

Doutora em Física Ambiental (2017) pelo programa de Pós-Graduação em Física Ambiental da Universidade Federal do Mato Grosso-UFMT. Possui graduação em Meteorologia pela Universidade Federal de Alagoas (2003), onde trabalhou com os dados de radiação solar do projeto LBA comparando o comportamento desta variável em área de pastagem. Em junho de 2006 concluiu o curso de mestrado em meteorologia, também pela Universidade Federal de Alagoas - UFAL, onde dissertou sobre "Caracterização do vento e estimativa do potencial eólico para a região de Tabuleiros Costeiros (Pilar - AL, Brasil)". No período de Julho de 2007 a Março de 2008, trabalhou no Escritório do LBA - INPA sob a orientação do Dr. Theotonio Pauliquevis, na realização do EUCAARI (European Integrated project on Aerosol Cloud Climate and Air Quality interactions) e do projeto Instituto do Milênio ?Integração de abordagens do ambiente, uso da terra e dinâmica social na Amazônia: as relações homem-ambiente e o desafio da sustentabilidade ? MilênioLBA2?, na componente 7, de Aerossóis e Precipitação, atuando em cooperação com o prof. Dr. Paulo Artaxo, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo. No ano de 2008, ministrou as aulas das disciplinas de Laboratório de Física I e II na Universidade Federal do Amazonas - UFAM, Campus Humaitá. Em 2009 foi aprovada e admitida como professora assistente no curso de engenharia ambiental na Universidade Federal do Amazonas - UFAM, Campus Humaitá.

Pericles Vale Alves, Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)

Atualmente é aluno de doutorado no Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais da Universidade Federal de São Calos. Mestre em Ciências Ambientais pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais da Universidade Federal do Amazonas (2020). Possui especialização em Ensino de Física pela Universidade Cândido Mendes (2016). Graduado em Matemática e Física pela Universidade Federal do Amazonas (2013). Professor Assistente I da Universidade Federal do Amazonas no Instituto de Educação, Agricultura e Ambiente. Trabalha com monitoramento do índice ultravioleta na mesorregião sul do Amazonas e desenvolve também pesquisas com instrumentação de baixo custo para medir variáveis meteorológicas e divulgação científica em ensino de ciências: matemática e física.

Caio Henrique Pagani, Programa de Pós-Graduação em Engenharia Agrícola, Universidade Federal de Viçosa (UFV)

Engenheiro Ambiental, graduado pela Universidade Federal do Amazonas (2015), Mestre em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente (Geotecnologias aplicadas em Inundações) pela Universidade Federal de Rondônia (2017), especialista em Engenharia de Segurança do Trabalho pela Faculdade Única de Ipatinga (2020), especialista em Geoprocessamento e Georreferenciamento de Imóveis Rurais e Urbanos pela Universidade Cândido Mendes (2020). Além disso, é Técnico em Agropecuária pela Escola Agrotécnica Federal de Colorado do Oeste (2007). Tem experiência na área de Engenharia Ambiental, com ênfase em uso de Geotecnologias, atuando, principalmente, nos seguintes temas: Desenvolvimento Sustentável, Sistema de Informações Geográficas, Bacias Hidrográficas, Cadastro Ambiental Rural (CAR), Regularização Fundiária, Uso e Ocupação do Solo, Planejamento Urbano e Licenciamento Ambiental. Atualmente é Doutorando no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Agrícola da Universidade Federal de Viçosa PPGEA-UFV (2020-2023).

Carlos Alexandre Querino, Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais, Universidade Federal do Amazonas (UFAM)

Meteorologista, Prof. Adjunto II da Universidade Federal do Amazonas - UFAM, vinculado Instituto de Educação Agricultura e Ambiente - IEAA. Possui graduação e mestrado em meteorologia pela Universidade Federal de Alagoas (2003) e (2006), Doutorado em Física Ambiental pela Universidade Federal de Mato Grosso (2016) e Pós-doutorado em Ciências Ambientais pela UFG. Atual como docente no programa de Pós-graduação em Ciências Ambientais - PPGCA no qual realiza pesquisas no âmbito da interação biosfera-atmosfera na Amazônia e Pantanal. Tem experiência na área de Geociências (Meteorologia), com ênfase em Radiação Solar, Micrometeorologia e Climatologia.

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Publicado

23-01-2023

Como Citar

Magalhães de Oliveira, H., Querino, J. K., Vale Alves, P., Pagani, C. H., & Querino, C. A. (2023). Avaliação dos efeitos da arborização nas variáveis de temperatura e umidade relativa do ar na cidade de Manicoré, Amazonas, Brasil. Revista Brasileira De Climatologia, 32(19), 292–310. https://doi.org/10.55761/abclima.v32i19.16453

Edição

Seção

Artigos