O que os marcadores apagam o fogo reacende: Diáspora e a lógica de Traduções Culturais

Autores

DOI:

https://doi.org/10.30612/mvt.v8i15.15456

Palavras-chave:

diáspora, tradução cultural, monumentos, Borba Gato, incêndio, marcadores sociais das diferenças

Resumo

O uso do termo marcadores sociais da diferença reinsere um debate sobre as disputas em torno da temática racial travadas pela Sociologia e Antropologia. Segundo Hofbauer (2011), tradicionalmente a Sociologia se dedicou aos debates sobre as relações raciais e a Antropologia sobre as culturas afro-brasileiras. O que se observa é que, de modo geral, as Ciências Sociais se valem do nacionalismo metodológico tanto nas interpretações quanto nas apropriações de discussões que ocorrem em movimentos transnacionais de circulação epistemológica de pensadoras negras e diaspóricas. Em termos gerais, o nacionalismo metodológico enfatiza o espaço nacional como termo privilegiado das análises. Mais que isso, tal proposta enfatiza as supostas peculiaridades do caso brasileiro (RIBEIRO, 2019). Os estudos da UNESCO realizados no Brasil nos pós 2ª Guerra Mundial exemplificam a tentativa constante das autoridades estatais e acadêmicas em demonstrarem diferenças sobre as questões raciais aqui e em outros contextos. Nos próprios estudos da UNESCO se evidenciou que, na verdade, as questões raciais do Brasil não diferiam tanto de contextos marcados por segregação e lutas anticoloniais. Todavia, o nacionalismo metodológico ao fechar as análises sociais nas fronteiras do território dificulta o entendimento dos processos diaspóricos ao mesmo tempo que possibilita uma apropriação seletiva da reflexão teórica de intelectuais da diáspora que tem contribuído sobremaneira para o entendimento do racismo contemporâneo. O artigo ao focar nas várias leituras do evento do fogo na estátua do Borga Gato em São Paulo no Brasil, a partir das similaridades do tipo de ato em várias cidades de outros Estados nacionais, reconhece a emergência de um movimento de contestação transnacional em torno dos significados da presença de estátuas e monumentos de escravizadores e colonizadores no espaço público.

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Biografia do Autor

João Felipe Gomes Carvalho, Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de São Carlos

Estudante de Mestrado em Sociologia da Universidade Federal de São Carlos (PPGS/UFSCar)

Valter Roberto Silvério, Professor titular do Departamento e Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Prof. Dr Valter Roberto Silvério. Titular do Departamento e Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Member of the International Scientific Committee for Volume IX, X and XI of the General History of Africa - GHA – UNESCO. Pesquisador do CNPq.

Carolina Nascimento de Melo, Doutoranda em Sociologia no Programa de Pós-Graduação em Sociologia (PPGS/UFSCar)

Doutoranda em Sociologia no Programa de Pós-Graduação em Sociologia (PPGS/UFSCar)

Referências

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Publicado

23/05/2022

Como Citar

Gomes Carvalho, J. F., Roberto Silvério, V., & Nascimento de Melo, C. (2022). O que os marcadores apagam o fogo reacende: Diáspora e a lógica de Traduções Culturais. MovimentAção, 8(15), 9–24. https://doi.org/10.30612/mvt.v8i15.15456

Edição

Seção

Dossiê: Marcadores sociais da diferença e implicações para teoria social contemporânea