Jogos e brincadeiras na literatura memorialística: um estudo de três obras brasileiras

Vivian Iwamoto, Renato Suttana

Resumo


Este estudo analisa três obras da literatura memorialística do Brasil, a saber: “Infância”, de Graciliano Ramos, “O velho que acordou menino”, de Rubem Alves, e “Moleque: memórias de um menino de 80 anos”, de Manuel Pacheco Jr. Aborda-se o aspecto dos jogos e brincadeiras presentes na descrição dos anos iniciais da vida de cada autor. Para compreender a questão, apoiamo-nos, do ponto de vista teórico, nas considerações de Caillois (1990), Vigotski (2007; 2009) e Kishimoto (1993; 2008). Quanto ao entendimento da relação entre literatura e memória, amparamo-nos principalmente em Candido (1985) e Bosi (1994), buscando verificar o modo como a memória se configura na escrita literária. O estudo dos jogos se organiza, aqui, em torno de núcleos temáticos, percebendo-se que, embora os autores sejam de lugares e épocas diferentes, as experiências descritas por eles muitas vezes coincidem. Isso mostra que, mesmo em contextos diversificados, as brincadeiras são reproduzidas ou reinventadas socialmente.

Palavras-chave


Jogos e brincadeiras. Literatura memorialística. Graciliano Ramos. Rubem Alves. Manuel Pacheco Jr.

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