Rio Tapajós: Sociedade, trabalho e deslocamentos (1870-1910)
DOI:
https://doi.org/10.30612/rehr.v21i41.20388Palavras-chave:
Rio Tapajós, Viajantes, Ciência, Relações sociais, IndígenasResumo
Neste artigo recupero algumas experiências de viajantes no curso do Tapajós no Pará que ocorreram entre os anos 1870 e 1910, abordando as viagens como processo histórico e uma prática científica e sociocultural. Para tal, revisito os relatos do botânico João Barbosa Rodrigues, O rio Tapajós de 1875, do engenheiro Antonio Manuel Tocantins, Estudos sobre a tribo Munduruku de 1877, do geógrafo Henri Coudreau, Viagem ao Tapajós de 1895, e da ornitóloga Emília Snethlage, A travessia entre o Xingu e o Tapajós de 1910. Analiso por meio dos fragmentos dos relatos de viagem, como os modos de conhecer, coletar informações e sobreviver nos caminhos fluviais narrados pelos viajantes, revelam traços da dinâmica social vigente no Tapajós naquele período, bem como, a importância do rio como tributário da vida e da economia na região. A partir do olhar dos naturalistas e viajantes, nos entrecruzamentos entre História da ciência e História ambiental, busco restituir vestígios das relações sociais em movimento e movimentadas pelas águas do rio Tapajós.
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