Do Tamanduateí ao Chafariz da Misericórdia: a construção social da água em São Paulo colonial
DOI:
https://doi.org/10.30612/rehr.v21i41.20387Palavras-chave:
São Paulo, Colônia, Águas, Infraestrutura, Tebas, Câmara MunicipalResumo
O artigo analisa a relação entre os cursos d’água e o processo de formação urbana e social da vila e cidade de São Paulo durante o período colonial, mais precisamente entre os séculos XVI e XVIII. Partindo da geografia do planalto de Piratininga e da importância estratégica dos rios como vetores de povoamento, comunicação e subsistência, investiga-se como a água desempenhou papel central na organização do território, ao mesmo tempo em que foi objeto de disputas, regulações e apropriações seletivas. Através do exame das Atas da Câmara Municipal de São Paulo, observa-se como o poder local regulava o acesso aos recursos hídricos, revelando conflitos sociais, sanitários e de classe. Destaca-se ainda o estudo do Chafariz da Misericórdia (1795), símbolo das transformações no abastecimento urbano, cuja construção envolveu o arquiteto negro alforriado Joaquim Pinto de Oliveira, o Tebas. O trabalho propõe, por fim, uma reflexão crítica sobre a memória urbana, as desigualdades estruturais e a invisibilização histórica dos sujeitos subalternizados.
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Referências
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