Entre o capital e o trabalho, o rio: turismo e a condição ribeirinha no Passo do Lontra, Corumbá (MS)
DOI:
https://doi.org/10.30612/rel.v17i33.19148Palavras-chave:
Comunidade Ribeirinha, Pantanal, Turismo, Trabalho, Degradação AmbientalResumo
A comunidade ribeirinha Passo do Lontra, objeto central deste trabalho, está localizada no entroncamento da Estrada Parque Pantanal com o Rio Miranda, no município de Corumbá-MS. Em decorrência da forte presença da atividade turística, significativas transformações no modo de vida ribeirinho e na biodiversidade do rio Miranda foram identificadas. Interessa-nos analisar e compreender essas transformações tomando como eixo central as dinâmicas do trabalho ribeirinho e as condições ambientais necessárias à sua reprodução social. Como recursos metodológicos, recorremos à revisão bibliográfica, trabalhos de campo, entrevistas, mapeamento e dados fundiários e sobre uso e ocupação do solo. Foi possível perceber uma apropriação do saber-fazer tradicional ribeirinho como parte do produto turístico pelo capital, em um contexto de transmutação das funções laborais tradicionais associadas à pesca artesanal em prestação de serviços aos hotéis e turistas. Ademais, constatamos um quadro de degradação ambiental com sensíveis impactos no volume de peixes encontrados no rio Miranda, cujos efeitos rebatem nas dinâmicas de trabalho locais, tanto na pesca artesanal quanto nas atividades associadas diretamente ao turismo.
Downloads
Referências
ACSELRAD, H. O “social” nas mudanças climáticas. Liinc em Revista, v. 18, n. 1, p. 1–19, 19 abr. 2022. https://doi.org/10.18617/liinc.v18i1.5930 . DOI: https://doi.org/10.18617/liinc.v18i1.5930
ALVES, T. dos S. Território Pesqueiro. Entre terra, água e educação. GIRAMUNDO - Revista de Geografia do Colégio Pedro II, v. 5, n. 10, p. 31–41, 2018. . DOI: https://doi.org/10.33025/grgcp2.v5i10.2471
BARATELLI, A. E. S. Terra, Estado e Capital: A centralidade da renda da terra nas relações econômicas e de poder no município de Três Lagoas/MS. Três Lagoas: Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, 2022, 217 p. Dissertação (Mestrado em Geografia).
BASSI, B. S.; BATAIER, C. Os Gigantes. De Olho nos Ruralistas, 2024. Disponível em: https://deolhonosruralistas.com.br/wp-content/uploads/2024/09/Os-Gigantes-2024.pdf . Acesso em: 21 set. 2024.
BRAGA, L. M.; ALMEIDA, N. de P.; ASATO, T. A. Tradição e Receptividade no Pantanal Sul-mato-grossense: Um breve roteiro histórico e cultural. In: IV CONGRESSO INTERNACIONAL SOBRE TURISMO RURAL E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL, 2004. Anais... Joinville: 2004. p. 1-9.
BRASIL. Decreto No 6.040 de 7 de fevereiro de 2007. Institui a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais. 2007. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/decreto/d6040.htm . Acesso em: 21 set. 2024.
BRASIL. Lei No 6.513, de 20 de dezembro de 1977. Dispõe sobre a criação de Áreas Especiais e de Locais de Interesse Turístico; sobre o Inventário com finalidades turísticas dos bens de valor cultural e natural. 1977. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6513.htm#:~:text=LEI%20No%206.513%2C%20DE%2020%20DE%20DEZEMBRO%20DE%201977.&text=Disp%C3%B5e%20sobre%20a%20cria%C3%A7%C3%A3o%20de,natural%3B%20acrescenta%20inciso%20ao%20art . Acesso em: 21 set. 2024.
CARDOSO, E. Schiavone. Territórios Pesqueiros: Conflitos e Possibilidades para a Gestão da Pesca. In: 9° ENCONTRO DE GEÓGRAFOS DA AMÉRICA LATINA - EGAL, 2003. Anais... Mérida, México: 2003. p. 1–21. Disponível em: http://observatoriogeograficoamericalatina.org.mx/egal9/Geografiasocioeconomica/Geografiaeconomica/07.pdf . Acesso em: 21 set. 2024.
COSTA, E. G. da; SANTOS, T. A. Territorialidade e Tradicionalidade Ribeirinha: Olhares sobre o desenvolvimento histórico e cultural na comunidade Passo do Lontra Corumbá-MS. In: IX RAMS – ANTROPOLOGIAS EMERGENTES: PERSPECTIVAS A PARTIR DO CENTRO-OESTE, 2023. Anais... Campo Grande, MS: 2023. p. 155–166. Disponível em: https://antropologiams.ufms.br/files/2024/02/Anais-do-Evento-_-RAMS-2.pdf . Acesso em: 21 set. 2024.
DORES, E. F. G. de C. Contaminação por agrotóxicos na bacia do rio Miranda, Pantanal (MS). Revista Brasileira de Agroecologia, v. 3, n. Suplemento especial, p. 202–205, 2008.
ESSELIN, P. M. A pecuária bovina no processo de ocupação e desenvolvimento econômico do Pantanal Sul-Mato-Grossense (1830-1910). Dourados: Ed. UFGD, 2011.
FERREIRA, S. R. B. Brejo dos Crioulos: saberes tradicionais e afirmação do território. Revista Geografias, v. 2, n. 1, p. 58–77, 1 jul. 2006. https://doi.org/10.35699/2237-549X..13195. DOI: https://doi.org/10.35699/2237-549X..13195
FREITAS, R. D. C. M.; NÉLSIS, C. M.; NUNES, L. S. A crítica marxista ao desenvolvimento (in)sustentável. Revista Katálysis, v. 15, n. 1, p. 41–51, jun. 2012. https://doi.org/10.1590/S1414-49802012000100004 . DOI: https://doi.org/10.1590/S1414-49802012000100004
HARVEY, D. A produção capitalista do espaço. São Paulo: Annablume, 2005.
HARVEY, D. Condição pós-moderna: uma pesquisa sobre as origens da mudança cultural. 17. ed. São Paulo: Ed. Loyola, 2008.
INCRA. Dados da estrutura fundiária por município de Mato Grosso do Sul. 2018. Disponível em: https://www.gov.br/incra/pt-br/assuntos/governanca-fundiaria/ms-municipios-2018.pdf . Acesso em: 21 set. 2024.
KAPP, S. Entrevistas na pesquisa sócio-espacial. Revista Brasileira De Estudos Urbanos E Regionais, v. 22, p. 1-32, 2020. https://doi.org/10.22296/2317-1529.rbeur.202006 DOI: https://doi.org/10.22296/2317-1529.rbeur.202006
MAPBIOMAS BRASIL. Projeto MapBiomas – Coleção 9 da Série Anual de Mapas de Cobertura e Uso da Terra do Brasil. 2024. Disponível em: https://plataforma.brasil.mapbiomas.org/ . Acesso em: 21 set. 2024.
MARQUES, L. Capitalismo e colapso ambiental. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2015.
MATO GROSSO DO SUL. Decreto no 7.122 de 17 de março de 1993. Considera Estradas Parque trechos de rodovias estaduais da região do pantanal, e dá outras providências. 1993. Disponível em: http://aacpdappls.net.ms.gov.br/appls/legislacao/secoge/govato.nsf/fd8600de8a55c7fc04256b210079ce25/26b7d72c4ad2b5fa042577610049d235?OpenDocument . Acesso em: 21 set. 2024.
MORAIS, I. C. da S. Variabilidade da precipitação e dos episódios de incêndio no Pantanal (MS). Três Lagoas: Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, 2023, ???p. Monografia (Licenciatura em Geografia).
MORETTI, E. C. Paraíso visível e real oculto: a atividade turística no Pantanal. Campo Grande, MS: Editora UFMS, 2006.
OLIVEIRA, L. D. Geopolítica ambiental: a construção ideológica do desenvolvimento sustentável (1945-1992). 1. ed. Rio de Janeiro: Autografia, 2019. DOI: https://doi.org/10.4000/espacoeconomia.8437
OLIVEIRA, M. D.; CALHEIROS, D. F.; PADOVANI, C. R. Mapeamento e Descrição das Áreas de Ocorrência dos Eventos de Decoada no Pantanal. Embrapa Pantanal. Boletim de Pesquisa e Desenvolvimento, v. 121, p. 1–21, 2013.
OURIQUES, H. R. A produção do turismo: fetichismo e dependência. 2. ed. Campinas: Alínea, 2015.
PINHEIRO, T. T.; GÓES, K. O. C.; NASCIMENTO, A. I.; SILVA, M. das G. S. N.; SILVA, J. da C. Um modo de produção no espaço ribeirinho: um estudo no distrito de Nezaré/RO. In: XXI ENCONTRO NACIONAL DE GEOGRAFIA AGRÁRIA, 2012. Anais... Uberlândia: 2012. p. 1-14.
PORTO-GONÇALVES, C. W. O desafio ambiental. Rio de Janeiro: Editora Record, 2004.
RIBEIRO, M. A. Trabalho e turismo no Pantanal/MS: olhares para a comunidade do passo da lontra. ENTRE-LUGAR, v. 9, n. 18, p. 150–168, 2018. https://doi.org/10.30612/el.v9i18.8889 . DOI: https://doi.org/10.30612/el.v9i18.8889
RIBEIRO, M. A.; MORETTI, E. C. Pantanal/MS/Brasil: A construção de novas Geografias. In: XII COLÓQUIO INTERNACIONAL DE GEOCRÍTICA, 2012a. Anais... Bogotá: 2012. p. 1-11. Disponível em: https://www.ub.edu/geocrit/coloquio2012/actas/01-M-Ribeiro.pdf . Acesso em: 21 set. 2024.
RIBEIRO, M. A.; MORETTI, E. C. Processo de ressignificação da geografia do pantanal. Mercator, v. 11, n. 24, p. 43–51, 19 abr. 2012b. https://doi.org/10.4215/RM2012.1124.0003 . DOI: https://doi.org/10.4215/RM2012.1124.0003
SALAZAR, N. B. Antropología del turismo en países en desarrollo: análisis crítico de las culturas, poderes e identidades generados por el turismo. Tabula Rasa, n. 5, p. 99–128, 2006. DOI: https://doi.org/10.25058/20112742.270
SILVA, C. A. Elementos epistemológicos e metodológicos para uma geografia das existências. In: SILVA, C. A. (org.). Pesca artesanal e produção do espaço: desafios para a reflexão geográfica. Rio de Janeiro: Consequência, 2014a.
SILVA, C. A. (Org.). Pesca artesanal e produção do espaço: desafios para a reflexão geográfica. Rio de Janeiro: Consequência, 2014b, p. 13-26.
SILVA, D. A.; RIBEIRO, V. Abordagem sobre a Apropriação dos Recursos Naturais pela Atividade Turística. Perspectiva Geográfica, v. 11, n. 15, p. 125–133, 2016.
SILVA, M. H. S. O Pantanal Sul Mato-Grossense um meio ambiente territorializado. Periódico Eletrônico Fórum Ambiental da Alta Paulista, v. 9, n. 7, 10 nov. 2013. https://doi.org/10.17271/19800827972013553 . DOI: https://doi.org/10.17271/19800827972013553
SILVEIRA, A. S. Estado do Bem-Estar Social e desfiliação social. Política & Sociedade, v. 12, n. 24, p. 145–176, 17 out. 2013. https://doi.org/10.5007/2175-7984.2013v12n24p145 . DOI: https://doi.org/10.5007/2175-7984.2013v12n24p145
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
- Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 3.0 Brasil que permitindo o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria do trabalho e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).

