Injustiça e sofrimento ambiental na esteira do agronegócio na Chapada do Apodi, Ceará
DOI:
https://doi.org/10.5418/ra2025.v21i45.19318Palavras-chave:
Injustiça ambiental, Agronegócio, Sofrimento ambiental, Chapada do ApodiResumo
O presente estudo questiona-se de que maneira a territorialização do agronegócio da cotonicultura produz processos de injustiça e sofrimento ambiental na Chapada do Apodi, em Tabuleiro do Norte-CE. Diante disso, objetiva-se desvelar os processos de injustiça e sofrimento ambiental deflagrados pela territorialização do agronegócio do algodão sobre os territórios camponeses na Chapada do Apodi. A partir de uma pesquisa de cunho qualitativa e participativa, realizou-se o levantamento e revisão bibliográfica, execução de trabalhos de campo e análise de dados primários. Com o estudo, percebeu-se que as repercussões do agronegócio sobre os territórios camponeses se materializam no cercamento das comunidades, exposição da população a agrotóxicos, diminuição da produção de mel associada à contaminação de abelhas e destruição do pasto apícola, entre outros. Adicionalmente, produz-se sofrimento ambiental físico e psíquico, que são revelados por meio de desconfortos, sentimento de medo, ansiedade, angústia, bem como no aumento da percepção de risco ambiental.
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