As terras de santo e da igreja na região do Bolsão/MS: a apropriação capitalista da terra no Loteamento Guadalupe do Alto Paraná
DOI:
https://doi.org/10.5418/ra2024.v20i41.17616Palavras-chave:
patrimônios religiosos, questão agrária, propriedade capitalista da terraResumo
As terras de santo na Diocese de Três Lagoas apresentam problemas complexos em relação à posse, sendo difícil a constituição das cadeias possessórias no tempo presente, gerando uma situação de insegurança para as famílias que nelas vivem e o surgimento de inúmeros litígios judiciais. Os problemas encontrados nesses patrimônios são reflexos da formação territorial nacional e sobretudo estadual, constituída na burla da lei, na especulação e na grilagem de terras, portanto, tem relação com a questão agrária, com origem nas formas históricas de acesso à terra na região. O presente artigo tem como objetivo evidenciar e analisar os conflitos nas terras de Santo e da Igreja pertencentes à Diocese de Três Lagoas, como desdobramentos da questão agrária da região do Bolsão/MS. A análise dos patrimônios religiosos, por meio de documentos e entrevistas, permitiu descortinar a relação conflituosa e contraditória no acesso à terra de santo e da Igreja Católica.
Downloads
Referências
ABREU, Maurício de Almeida. A apropriação do território no Brasil colonial. In: CASTRO, Iná Elias; CORRÊA, Roberto Lobato; GOMES, Paulo C. da. (org.). Explorações geográficas. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1997.
BORGES, Maria Celma; KUDLAVICZ, Mieceslau. História e vida da CPT em Mato Grosso do Sul: Contribuição na luta pela terra e para nela permanecer. In: ALMEIDA, Rosemeire Aparecida de (Org.). A questão agrária em Mato Grosso do Sul: uma visão multidisciplinar. Campo Grande. Editora UFMS, 2008, p. 81-112.
MARTINS, José de Souza. O poder do atraso. São Paulo: Hucitec, 1994.
MENDONÇA, Marcelo Ribeiro de. A Geografia das Lutas da Comissão Pastoral da Terra na Diocese de Três Lagoas (MS): a opção preferencial pelos pobres. 270 f. Dissertação (Mestrado em Geografia) – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Três Lagoas, 2021.
MITIDIERO JÚNIOR, Marco Antonio. A ação territorial de uma Igreja radical: Teologia da Libertação, luta pela terra e atuação da Comissão Pastoral da Terra no estado da Paraíba. 501 f. Tese (Doutorado em Geografia) - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, 2008.
MOTTA, Márcia M. A grilagem como legado. In: Motta, Márcia; Piñero, Theo (orgs.) Voluntariado e universo rural. Rio de Janeiro, Vício de leitura, 2002, p. 75-101.
PEREIRA, Márcia Maria. A Igreja Católica em Maringá e a gestão de D. Jaime Luiz Coelho (1947- 1980). 2007. Dissertação (mestrado). Universidade Federal da Grande Dourados, Dourados, 2007.
PICCINATO JÚNIOR, Dirceu; SALGADO, Ivone. A conflituosa relação entre igreja e poder público municipal no gerenciamento da terra urbana – estudo de caso: Cruz das Posses, São Paulo. URBE - Revista Brasileira de Gestão Urbana. Pontifícia Universidade Católica do Paraná, 2016. DOI: https://doi.org/10.1590/2175-3369.008.002.AO05
PICCINATO JÚNIOR, Dirceu. Em chão urbano o senhorio é santo: urbanização e aforamento de terras no Bispado de Ribeirão Preto entre o Brasil Império e a Primeira República. 2016. Tese (Doutorado em Urbanismo) - Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Campinas, 2016.
ROSADA, Mateus. Sob o signo da cruz: Igreja, Estado e secularização (Campinas e Limeira). 2010. Dissertação (mestrado) – Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo, 2010.
AÇÃO CÍVEL DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. Ministério Público Estadual contra José Cecílio da Silva Filho. Autos nº 0801642-72.2018.8.12.0021. Vara de Fazenda Pública e Registros Públicos - Três Lagoas. Comarca de Três Lagoas, 2018.
AÇÃO DE PEDIDO DE PROVIDÊNCIAS BLOQUEIO DE MATRÍCULA. Ministério Público Estadual contra Diocese de Três Lagoas. Autos nº 0012286-54.2011.8.12.0021. Direção-Três Lagoas. Comarca de Três Lagoas, 2017.
AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO/MANUTENÇÃO DE POSSE. Itamar Monteiro de Farias contra Elza Silva e Souza Marinho. Autos nº 0801589-28.2017.8.12.0021. Cartório 3ª Vara Cível. Comarca de Três Lagoas, 2017.
AÇÃO DE USUCAPIÃO ESPECIAL URBANO. Elza Silva e Souza Marinho contra Diocese de Três Lagoas. Autos nº 0803678-24.2017.8.12.0021. Cartório 3ª Vara Cível. Comarca de Três Lagoas, 2017.
CÚRIA DIOCESANA DE TRÊS LAGOAS. Correspondência recebida de Francisca Holanda de Souza, 12 de abril de 1993.
CÚRIA DIOCESANA DE TRÊS LAGOAS. Correspondência remetida à Francisca Holanda de Souza, em 20 de abril de 1993.
CÚRIA DIOCESANA DE TRÊS LAGOAS. Correspondência remetida à Francisca Holanda de Souza, em 14 de maio de 1993.
CÚRIA DIOCESANA DE TRÊS LAGOAS. Correspondência recebida de Francisca Holanda de Souza, em 21 de junho de 1993.
CÚRIA DIOCESANA DE TRÊS LAGOAS. Correspondência remetida à Osvaldo Antonio Kfouri, em 01 de setembro de 1986.
CÚRIA DIOCESANA DE TRÊS LAGOAS. Correspondência remetida à Osvaldo Antonio Kfouri, em 26 de setembro de 1986.
CÚRIA DIOCESANA DE TRÊS LAGOAS. Memorial Descritivo do patrimônio da Nossa Senhora Aparecida, em Selvíria. Acervo de documentos. Elaborado em 11 de fevereiro de 1984.
CÚRIA DIOCESANA DE TRÊS LAGOAS. Ofício encaminhado ao Bispo de Três Lagoas, pelo vigário da Véstia, com data de 09 de outubro de 1937.
CÚRIA DIOCESANA DE TRÊS LAGOAS. Ofício encaminhado ao Cartório de Registro de Imóveis de Três Lagoas, com data de 24 de novembro de 1988.
PARANAÍBA. Cartório do 1º Ofício. Escritura de doação de imóvel rural, doado por Major Miguel Alves de Lima e Maria José de Queiroz à Nossa Senhora Aparecida. Registrada no livro de notas nº 19, folhas 90/91 vº, em 24 de novembro de 1911.Transcritos sob nº 5.896 às folhas 74 do livro 3-M, em data de 22 de junho de 1950.
TRÊS LAGOAS. Cartório do 1º Ofício. Matrícula 15.584. Registrada no Livro nº 02, folha 01. 26 de julho de 1984.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
- Os autores mantêm os direitos autorais sobre seus trabalhos e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o texto simultaneamente licenciado sob a licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional (CC BY-NC-SA 4.0), que permite o compartilhamento e a adaptação da obra, desde que sejam atribuídos os devidos créditos à autoria e à publicação inicial nesta revista, que o uso não tenha finalidade comercial e que eventuais obras derivadas sejam distribuídas sob a mesma licença.
- Os autores estão autorizados a firmar, separadamente, contratos adicionais para distribuição não exclusiva da versão publicada nesta revista, como depósito em repositório institucional ou publicação em livro, capítulo de livro ou outros meios, desde que seja indicado o reconhecimento da autoria e da publicação inicial nesta revista.
- Os autores são incentivados a divulgar seus trabalhos apenas após a publicação na revista, por meio de repositórios institucionais, páginas pessoais e outros meios acadêmicos, sempre com a devida referência à publicação original.


