Notícias

Ñanduty é uma palavra polissêmica em língua guarani, constituída de duas partes: ñandu e ty. O vocábulo ñandu pode ser substantivo, quando empregado para designar aranha (aracnídeo), mas também pode servir como verbo, no sentido de sentir, experimentar sensações, averiguar ou pressentir, além denotar ir, ver ou visitar alguém por cortesia, solidariedade ou afeição. O sufixo ty, cuja pronúncia é nasal, pode significar urina, suco  ou  sumo, indicar coletivo (avatity =  milharal; jetyty = batatal), designar grandeza de alguma coisa ou mesmo ser empregado como no sentido de jogar ou lançar algo em alguma direção. Comumente a palavra é usada no sentido de “teia de aranha”, tanto no Paraguai quanto em entre os Guarani e Kaiowa que vivem em Mato Grosso do Sul. Entre a população paraguaia, por exemplo, o vocábulo também é empregado para designar uma renda fina e típica do artesanato regional (cultura material), cujo formato colorido lembra uma teia de aranha. Também é empregada no sentido de grande rede de relações sociais, motivo principal pelo qual a palavra foi escolhida como nome da revista eletrônica do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da UFGD. Por isso entre a expressão "www" (Word Wide Web), muito comum na linguagem da Internet, é denominada Ñanduty Rogue Guasu naquele país vizinho.

PROPOSTA DOSSIÊ TEMÁTICO REVISTA ÑANDUTY (PPGAnt/UFGD) 2019/2

 

Saberes feministas: solidariedades Sul/Sul

(Submissão até 30 de novembro de 2019 e deverá ser feito  pelo site da revista http://ojs.ufgd.edu.br/index.php/nanduty) com cópia de envio do artigo para o e-mail revistappgant@gmail.com.

Coordenadoras científicas do Dossiê:

Claudia Cristina Carvalho: Universidade Federal da Grande Dourados/ BRASIL.

Teresa Cunha Amal: Centro de Estudos Sociais- Universidade de Coimbra/Portugal.

Luciana Moreira: Centro de Estudos Sociais- Universidade de Coimbra/Portugal.

As Epistemologias do Sul, proposta de Boaventura de Sousa Santos (1995), partem de três premissas fundamentais: “Aprender que existe o Sul”; “Aprender a ir para o Sul”; “ Aprender a partir do Sul e com o Sul”, não se trata de um sul geográfico, mas, um Sul como metáfora do sofrimento humano injusto produzido pelos sistemas de opressão que são o capitalismo, o heteropatriarcado e colonialismo. É um Sul que também existe no Norte-global. As Epistemologias do Sul, que é também tributária da “Pedagogia do Oprimido” (FREIRE, 1974), nos convoca a trazer das ausências para as emergências aquilo que foi produzido como inexistência, silenciamentos, invisibilidades, pelo monoculturalismo da ciência moderna ocidental. Possibilita-nos ampliar conhecimentos para ler e captar as tensões e as desigualdades sexistas-colonial que existem e persistem e, perscrutar, nesse Sul, de complexas redes de opressão e distribuição desigual de poder a que estão sujeitos os povos dos SUIS não-imperiais (Ásia, América Latina, África).

Reconhecendo a pluralidade epistemológica do mundo, tanto no interior das ciências (a pluralidade interna da ciência), como na relação desta com outras ciências e outros (conhecimentos não-científicos/pluralidade externa das ciências) e, assumindo como raiz conceitual a ecologia de saberes numa leitura feminista das Epistemologias do Sul, opta-se por buscar reconhecer, valorizar e validar os saberes, as epistemes e as práticas sociais do mundo pensado e marcado pelas experiências de mulheres, mas também das masculinidades não hegemônicas e da diversidade sexual e de género (para além da matriz hetero(cis)sexual).

Assim, cabe destacar, de entre outros, o alerta de Simone Beauvoir sobre a construção histórica e social do papel das mulheres como fonte fundamental da opressão sobre elas exercida, ou o de Judith Butler (1990), ao chamar a atenção para os riscos de transformar as “mulheres” num grupo a-histórico, de características comum, reforçando estratégias binárias das relações de gênero. Por outro lado, a partir da crítica radical aos femininos hegemônicos de cariz nortecêntrico, que tem vindo a ser entendidos nos espaços academicos e além deles como a única voz; outras vozes se destacam a partir de diversos lugares de enunciação e de perspectivas diferenciadas como demonstram: CUNHA, 2014; DAVIS, 2016; FEDERICI, 2004; GARGALLO CELENTENI, 2014; LUGONES, 2014; OYEWÚMÌ, 1997, PLATERO, 2012; SEGATO, 2003; SUÁREZ BRIONES, 2014, entre outras/os autoras/os. Herdeiras de lutas históricas, e independentemente das suas geografias, a multiplicidade de vozes feministas, queer e contra o racismo e o capitalismo que caracterizam o tempo presente trazerem para o foco do debate as diferenças que as caracterizam, seja nos movimentos sociais, seja em associações ou nas universidades, com o intuito de contribuir para uma genealogia de feminismos cada vez mais plurais. Neste âmbito, se as dissidências diretas tem acontecido, por exemplo em relação ao feminismo neoliberal, a construção de solidariedades e pontes têm sido também uma constante.

Neste dossiê queremos dar especial destaque às solidariedades Sul/Sul, (na senda das Epistemologias do Sul, de Boaventura de Sousa Santos), de modo a visibilizar e melhor compreender os conhecimentos nascidos das lutas emancipatórias, das resiliências protagonizadas pelas mulheres e pelas pessoas que escapam à estrutura patriarcal e binária das relações de género. São objetivos deste dossier: a) contribuir para o desenvolvimento de um pensamento feminista que caminha par a par com as teorizações pós-coloniais, crítico, reflexivo e dialogante; b) arquitetar um espaço que promova conhecimentos insurgentes, que corrompa a obsessão colonial de invadir, ocupar, discriminar, conquistar e explorar; c) construir conhecimentos feministas fortemente contextualizados e que visam alimentar as solidariedades Sul - Sul.

Nessa conjuntura, as temáticas a seguir elencadas, e outras a elas vinculadas, são de especial interesse para este dossiê:

a) Saberes e cosmovisões feministas que resistem ao pensamento ocidental heteropatriarcal, às políticas conservadoras, aos ataques aos Direitos Humanos;

b) Análise e problematização da construção de solidariedades feministas Sul/Sul dentro e fora de espaços feministas, antirracismo, anticapitalismo e pela diversidade sexual e de género, enquanto forma de resistência e ferramenta de libertação contra as opressões várias que resultam do heterocispatriarcado capitalista;

c) As solidariedades feministas inter-raciais com estratégia de resistência contra a supremacia branca e o papel dos feminismos negros e indígenas para a consciencialização da intersecção entre género, raça e classe;

d) O papel do cuidado e da construção de estratégias de cuidado nos movimentos sociais, nas ONG’s, nos coletivos informais, nos centros de pesquisa, etc. e a importância de uma ética para o cuidado na construção e solidificação das solidariedades feministas unido saberes científicos e não-cientificos;

e) Metodologias feministas pós-coloniais e/ou queer de pesquisa que partam de múltiplos lugares de enunciação e anunciação, num exercício de auto-reflexividade, que não desumanizem nem as/os pesquisadas/es nem as/os colaboradoras/os da pesquisa.

 
Publicado: 2019-07-30 Mais...
 

PROPOSTA DOSSIÊ TEMÁTICO REVISTA ÑANDUTY (PPGAnt/UFGD) 2019/1

 

DIÁLOGOS EM TORNO DA BIOPOLÍTICA FOUCAULTIANA: CRUZANDO TEMAS, PROBLEMAS E PERSPECTIVAS


Proponentes: Profa. Dra. Ceres Víctora (PPGAS/UFRGS) e Prof. Dr. Esmael Alves de Oliveira (PPGAnt/UFGD).

PRAZO PARA ENVIO DOS TRABALHOS: 01 de junho de 2019.

 
Publicado: 2018-11-19 Mais...
 
1 a 2 de 2 itens