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Ñanduty é uma palavra polissêmica em língua guarani, constituída de duas partes: ñandu e ty. O vocábulo ñandu pode ser substantivo, quando empregado para designar aranha (aracnídeo), mas também pode servir como verbo, no sentido de sentir, experimentar sensações, averiguar ou pressentir, além denotar ir, ver ou visitar alguém por cortesia, solidariedade ou afeição. O sufixo ty, cuja pronúncia é nasal, pode significar urina, suco  ou  sumo, indicar coletivo (avatity =  milharal; jetyty = batatal), designar grandeza de alguma coisa ou mesmo ser empregado como no sentido de jogar ou lançar algo em alguma direção. Comumente a palavra é usada no sentido de “teia de aranha”, tanto no Paraguai quanto em entre os Guarani e Kaiowa que vivem em Mato Grosso do Sul. Entre a população paraguaia, por exemplo, o vocábulo também é empregado para designar uma renda fina e típica do artesanato regional (cultura material), cujo formato colorido lembra uma teia de aranha. Também é empregada no sentido de grande rede de relações sociais, motivo principal pelo qual a palavra foi escolhida como nome da revista eletrônica do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da UFGD. Por isso entre a expressão "www" (Word Wide Web), muito comum na linguagem da Internet, é denominada Ñanduty Rogue Guasu naquele país vizinho.

DOSSIÊ TEMÁTICO REVISTA ÑANDUTY (PPGAnt/UFGD) 2020-1

 

Humanos e outros que humanos em paisagens multiespecíficas no Brasil

Submissões prorrogadas até 31 de agosto de 2020 e deverão ser feitas pelo site da revista http://ojs.ufgd.edu.br/index.php/nanduty; com envio do artigo também para o e-mail revistappgant@gmail.com

Coordenadores do Dossiê:

 Felipe F. Vander Velden (UFSCar)

Flávio Leonel Abreu da Silveira (UFPA)

Avanços teóricos recentes na antropologia e em outras disciplinas (como a ecologia histórica) vêm cada vez mais recusando a centralidade e o protagonismo de seres humanos na produção de paisagens ou contextos socioambientais. Desta forma, têm contribuído para (re)pensarmos o lugar dos não humanos vivos na produção de mundos compartilhados conosco, ou mesmo a partir de suas interações interspecies que, de um modo ou de outro, nos alcançam na/para a constituição de paisagens multiespecíficas. A partir da crítica do antropocentrismo embutido no próprio conceito corrente de Antropoceno, vários trabalhos – em larga medida derivados dos insights pioneiros de autores como Tim Ingold, Donna Haraway, William Balée, Anna Tsing e outros –insistem mais e mais na ideia de mundos co-constituídos por seres humanos e outros que humanos em miríades de relações possíveis. Assim, se a “sociedade” é produto das ações e relações entre humanos e não humanos, por certo, a “natureza” também o é. Nota-se que a oposição clássica e forte entre uma e outra acaba por sofrer outro duríssimo golpe – o que reconfigura certas posições em jogo, bem como os campos disciplinares quando buscamos compreender os fenômenos pluridiversos que emergem nesse processo. Este dossiê pretende reunir artigos baseados em etnografias e/ou discussões bibliográficas que se debruçam sobre a constituição multiespecífica, relacional ou mútua de paisagens, contextos, espaços ou cenários, e que contribuam para o avanço de nossa compreensão etnográfica das complexidades presentes nas interações entre a natureza e a sociedade/cultura.

 

 
Publicado: 2020-03-03
 
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