Chamada para dossiê: Desenvolvimento e pensamento social brasileiro

A proposta dessa chamada de artigos da Revista Movimentação é abordarmos as diferentes perspectivas teóricas sobre a questão do desenvolvimento no pensamento social brasileiro.

O pensamento político e sociológico sobre o desenvolvimento do Brasil reverberou sob diferentes dimensões e enfoques analíticos. Dentre este grande universo, composto por constelações interpretativas de autores, escolas de pensamentos, destacamos as contribuições de autores que, no período de 1930 a 1980, fomentaram o debate ao redor do pensamento nacionalista e desenvolvimentista, levantando essas bandeiras ou criticando-as. Temos, nessa corrente de pensamento, contribuições teóricas originais de inúmeros autores, como Celso Furtado, Roberto Campos, Roberto Simonsen, Caio Prado Junior, Ignácio Rangel, entre outros. Nesse período, surgiram teses alternativas às nacionais-desenvolvimentistas, partindo de diferentes linhagens do pensamento político e sociológico, como a teoria da dependência e suas variações, mobilizada por Fernando Henrique Cardoso e Enzo Faletto, Theotônio dos Santos.

A agenda de pesquisa sobre o debate sobre subdesenvolvimento e desenvolvimento foi formada pelo diálogo entre esses diferentes teóricos e permitiu entrosar diferentes contribuições, aproximando-se do campo das Ciências Sociais pelas interpretações de Francisco Weffort, Florestan Fernandes, José Martins de Souza, dentre outros.

Apesar de diferentes enfoques analíticos propalados pelos teóricos nessa disputa simbólica e da hegemonia acadêmica de algumas correntes de pensamento sobre o já clássico pensamento nacional-desenvolvimentista, as temáticas dessa agenda nacionalista e desenvolvimentista ganham força novamente no contexto político dos governos de Luís Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff; pois os governos petistas, nesses treze anos, tal como nas prescrições políticas do desenvolvimentismo clássico, reposicionaram o Estado como agente principal para o desenvolvimento do Brasil. A novidade da política econômica por eles conduzida dá-se pela conjugação desse protagonismo estatal com os esforços de superação das desigualdades sociais. A despeito de não levantarem a bandeira política do nacionalismo, a despeito do pensamento desenvolvimentista ter sido tirado de sua hegemonia desde a década de 1960, a prática política dos governos Lula e Dilma poderia ser caracterizada, em alguns aspectos, como nacionalista (particularmente na condução da política externa) e - como foi convencionado na literatura sobre o tema - “neodesenvolvimentista”.

O tema de desenvolvimento é caro para as Ciências Sociais e é urgente retomarmos o debate sobre as teses clássicas do desenvolvimento com objetivo de contribuirmos para uma maior clareza teórica nas interpretações das últimas décadas do Brasil, até o momento de interrupção do governo Dilma Rousseff. A retomada da discussão sobre o desenvolvimento abre a possibilidade de construirmos novas chaves interpretativas e balizas alternativas para o desenvolvimento do Brasil.

Por conta disso propomos revisitar criticamente os autores clássicos brasileiros das diferentes teses do desenvolvimento e seus variados interlocutores intelectuais, seja reforçando essas teses ou negando-as. O diálogo entre as diferentes interpretações no período de 1930 a 1980 - o desenvolvimentismo e seus críticos - torna possível reavivar e comparar teoricamente conceitos que poderão compor a gramática do desenvolvimento sob a ressignificação do novo desenvolvimentismo.

Com esse propósito de eixo temático, convidamos todos(as) para submissão de artigos para o Dossiê Desenvolvimento e pensamento social brasileiro.

Interessados em submeter trabalhos para compor o dossiê deverão seguir rigorosamente as Diretrizes para Autores, disponível no site da vista MovimentAção. O prazo para recebimento dos artigos será até 14/05/2018. O dossiê corresponde ao volume 05, número 08, de 2018, com previsão de publicação em julho de 2018. Quaisquer dúvidas devem ser encaminhadas para o endereço eletrônico da revista (movimentacao@ufgd.edu.br). A revista também aceita trabalhos em fluxo contínuo para outras seções, como artigos de temática livre e resenhas.

 

Andre Augusto Inoue Oda

Rafael Gonçalves Gumiero

Organizadores

 

 

 

MovimentAção

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