Chamada para dossiê: Movimentos Indígenas

A revista Movimentação vem a público lançar uma chamada para os povos indígenas, no Brasil. No intuito de receber contribuições acadêmicas em forma de artigo científico e entrevistas com Grandes Lideranças do Movimento Indígena, da contemporaneidade, num contexto em que expande a notoriedade das mobilizações indígenas nas redes e mídias sociais pelo país. As mobilizações indígenas, no Brasil, são plurais. A participação do povo indígena organizado, na sociedade civil e política nacional conta com várias frentes de atuação que trata de política, educação, direito, território, arte, música, literatura e vários outros temas que são abordados de forma política e tradicional pela cultura indígena no Brasil, hoje.

A utilização de mídias e tecnologia foi incorporada ao movimento para dar a visibilidade que faltava às demandas do Movimento Indígena Nacional, que ganhou força e hoje conta com redes e instituições próprias, responsáveis por traduzir códigos e símbolos ocidentais e fazer a interlocução entre valores tradicionais originários das mais de duzentas etnias que utilizam a Rede de Movimentos Indígenas, para estabelecer interação entre o modo de vida tradicional e os signos ocidentais da humanidade.

O Movimento Indígena é uma articulação de povos e experiências que se faz presente desde o período da colonização e hoje todo esse arcabouço vem sendo documentado pelos próprios cidadãos das diversas etnias, que superando a herança de tutela e subalternização imposta pelas políticas civilizatórias, elaboram respostas próprias para problemas do cotidiano, de maneira complexa, tecnológica e contemporânea. Fazendo com que o Movimento dos Povos Originários no Brasil possa ser notado com maior intensidade e repercussão. Lançando a voz indígena no espaço público e político da sociedade ocidental. Também a entrada de cidadãos indígenas na Universidade acrescentou ao movimento um modo especial de preencher espaços simbólicos com a cidadania indígena, sob um aspecto cognitivo de protagonismo de suas próprias exigências epistêmicas para ser incorporadas pelo mundo ocidental de modo a servir de base para a ampliação da cidadania dos povos tradicionais.

Resta lembrar que a participação dos povos indígenas torna-se cada vez mais importante, pelo fato de trazer novo referencial de pessoa, grupo e lugar a ser debatido nas ciências que sustentam a noção de Direitos Humanos e Cidadania, além de oferecer inovação na base crítica de conceitos que há muito são debatidos como é exemplo dos conceitos de Progresso e Modernidade. Trazendo para o centro do debate uma contribuição ampliada e bastante pertinente do ideal de ecologia, natureza e desenvolvimento humano que estão ausentes na produção do conhecimento sobre a humanidade. Conexões essas, que se fazem úteis para atualizar a capacidade de confronto aos ideais de progresso e desenvolvimento, que por muito tempo, se favoreceu da visão única que o ocidentalismo nos apresentou.

Queremos mostrar com este documento, que a invisibilidade e o sufocamento das vozes da tradição não foram suficientes para aniquilar a força de mobilização dos povos tradicionais, que hoje sofisticam sua capacidade de resposta ao mundo ocidental, a propósito de séculos de equívocos sobre a produção de referencias para construir noção de humano, humanidade e sociedade. 

Este é um manifesto para o povo autóctone, que atenda o chamado para a contribuição de apresentar a visão do índio para respostas de problemas do mundo atual em que vivemos. A presente chamada de trabalhos irá receber material inédito e exclusivo que contemplem a trajetória dos Movimentos Indígenas no Brasil, que documente o Movimento nas linhas definidas em três frentes de mobilização. São elas: “Vanganguarda”, isto é, trabalhos que retratem as lutas dos guerreiros que abriram o caminho da cidadania indígena, atuando de modo local e nacional na construção do Movimento; Na segunda linha, o dossiê receberá também, contribuições dos novos movimentos, que são respostas aos princípios desses intelectuais orgânicos do Movimento Indígena, e assim contemplará a forte participação da “Juventude” no processo de luta pelos direitos e reafirmação étnica nesse espaço público hostil à identidade originária; E também e modo inovador, contemplaremos nesta edição, a mobilização das mulheres indígenas, no percurso já iniciado há algumas décadas (1980), para firmar suas posições acerca dos direitos e cidadania das mulheres indígenas na sociedade, provando que a identidade indígena comporta complexidades de interação política e social equivalente a noções atuais, e feministas, de cidadania.

Interessados em submeter trabalhos para compor o dossiê deverão seguir rigorosamente as Diretrizes para Autores, disponível no site da vista MovimentAção. O prazo para recebimento dos artigos será até 15/02/2018. O dossiê corresponde ao volume 04, número 06, de 2017, com previsão de publicação em julho de 2018. Quaisquer dúvidas devem ser encaminhadas para o endereço eletrônico da revista (movimentacao@ufgd.edu.br). A revista também aceita trabalhos em fluxo contínuo para outras seções, como artigos de temática livre e resenhas.

 

Fabiane Medina da Cruz (UNICAMP - Ciência Política. AVA Guarani. MS/Brasil)

Organizadora do Dossiê – Movimentos Indígenas

 

 

 

 

MovimentAção

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