Chamada para dossiê: A. Gramsci 80 anos depois

            Quando faleceu em 1937, depois de ter passado quase dez anos nos cárceres B. Mussolini, Gramsci era considerado um mártir da luta antifascista e importante nome do comunismo internacional. Nessa perspectiva foi feita a primeira publicação de seus texto na Itália, em 1947, que reuniu suas cartas e foi celebrada por sua qualidade literária. Mais tarde, em 1948 e 1951, seus cadernos escritos durante o período que esteve na prisão foram apresentado ao público-leitor através de um projeto de publicação conduzido por P. Togliatti. Importante nome do partido comunista italiano que Gramsci havia ajudado a fundar, Togliatti havia também organizado a edição das cartas. Outros textos de Gramsci tinham vindo à luz antes da prisão, nos muitos artigos que escreveu à imprensa italiana desde o seu ingresso no PSI (Partido Socialista Italiano) quando exercia a atividade de jornalista militante.

            A produção de Gramsci começou a circular no Brasil especialmente através das traduções das edições dos cadernos organizadas por P. Togliatti. Sua obra encontrou aqui um terreno fértil de difusão e de interpretação, que conjugam os aspectos teóricos e a prática militante de Gramsci. De maneira bastante original, seus conceitos e categorias são utilizados para interpretar uma miríade de temas: a educação, passando pelo serviço social e a cultura dos chamados grupos subalternos, por exemplo. A capacidade de tradução de suas formulações para a interpretação do Brasil estaria ligada à possível similaridade entre a periferia europeia (a Itália) e o país de passado colonial? Que lições a análise da questão meridional feita por Gramsci pode nos ajudar a entender e problematizar as disparidades regionais do Brasil? Essas são questões sobre as quais os gramscianos brasileiros, direta ou indiretamente, tem ajudado a responder.

            Esse dossiê pretende reunir artigos que tratam da produção de A. Gramsci tanto do que diz respeito à utilização de seus conceitos e categorias para a análise de fenômenos empíricos, como estudos de teoria e pensamento social que o tenham como objeto. Dessa forma, pretende celebrar sua difusão, assim como registrar usos originais que são feitos de seu pensamento. O vigor de sua obra, 80 anos depois, pode ser justamente atestado pela capacidade que tem de iluminar problemas contemporâneos. É certo que não se pode utilizar sua obra de modo mecânico, sem as devidas traduções para o tempo e o espaço determinados, evitando os anacronismos e as instrumentalizações a-históricas acerca do seu pensamento. Esses cuidados são importantes para colocar em evidência as contribuições de Gramsci sobre as diversas questões presentes nos dias atuais. Afinal, mesmo da prisão fascista, em condições bastante desfavoráveis, o autor sardo revelou inúmeros problemas de um mundo que ainda é o nosso: "o mundo grande, terrível e complicado".

            Interessados em submeter trabalhos para compor o dossiê deverão seguir rigorosamente as Diretrizes para Autores, disponível no site da vista MovimentAção. O prazo para recebimento dos artigos será até 15/02/2018. O dossiê corresponde ao volume 04, número 07, de 2017, com previsão de publicação em julho de 2018. Quaisquer dúvidas devem ser encaminhadas para o endereço eletrônico da revista (movimentacao@ufgd.edu.br). A revista também aceita trabalhos em fluxo contínuo para outras seções, como artigos de temática livre e resenhas.

 

Sabrina Areco (UEMS - Amambai. Membro da IGS-Brasil/CO)

Cláudio Reis (UFGD. Membro da IGS-Brasil/CO)

Organização do Dossiê - A. Gramsci 80 anos depois

 

 

 

 

MovimentAção

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