Role Theory como terceira via nas Relações Internacionais

Irma Dutra Gomes de Oliveira e Silva, Pedro Labriola

Resumo


O presente trabalho convida a uma reflexão sobre a Role Theory (RT) e seu desenvolvimento nas Relações Internacionais por meio de uma revisão de literatura dos trabalhos publicados nas últimas décadas. Busca analisar o encontro dos dois subcampos da área: o subcampo de Política Internacional (PI) e o de Análise de Política Externa (APE) vislumbrado por meio da RT. Compreender o processo de mudança da postura dos Estados em diferentes temáticas exige a ponderação de fatores estruturais, institucionais e identitários do sistema internacional e do ambiente doméstico, e a RT parece ser capaz de unir os diferentes níveis de análise de forma satisfatória. A junção entre teorias das RI e APE pela RT só é possível devido a particularidades dessa teoria, por isso compreender como a RT dialoga com cada um desses campos é relevante. Assim, o artigo trata das origens da RT nas ciências humanas e nas RI, alguns dos diálogos dessa teoria com as demais, sua relação com a APE, além dos seus principais conceitos. Também serão explorados brevemente exemplos de trabalhos que utilizam a RT para o estudo da política externa brasileira. Outro motivo para a apresentação do histórico e do arcabouço conceitual vem da necessidade de unificar conceitos expostos em manuais e artigos recentes da RT, cuja reflexão pode ser útil para análises futuras que desejem utilizar a RT como modelo teórico. Ênfase maior é conferida a dois conceitos: National Role Conceptions (NRC) e Domestic Role Contestation (DRC). O conceito de NRC pode ser definido como a percepção dos policymakers sobre a posição de suas nações no sistema internacional e são, ao menos em tese, visões domesticamente compartilhadas sobre qual deve ser o role assumido pelo próprio Estado no sistema internacional; são a base da Role Theory nas RI.

Recebido em: setembro de 2019

Aceito em: fevereiro de 2020


Palavras-chave


Role Theory. National Role Conception. Domestic Role Contestation.

Texto completo:

PDF

Referências


AGGESTAM, L. (1999) “Role Conceptions and the Politics of Identity in Foreign Policy,” ARENA Working Paper 1999: 8.

AGGESTAM, L. “Role Theory and European Foreign Policy: A Framework of Analysis,” in Elgström, O. and Smith, M. (eds.) The European Union’s Roles in International Politics, London: Routledge. 2006

BIDDLE, J. Bruce. Role Theory: Expectations. Identities and Behaviors, Academic Press, New York 1979.

BREUNING, Marijke. National role conceptions and foreign assistance policy behavior toward a cognitive model, Tese (Doutorado em ciência politica), Ohio, Ohio State University, 1992.

BREUNING, Marijke. (1995) “Words and Deeds: Foreign Assistance Rhetoric and Policy Behavior in the Netherlands, Belgium and the United Kingdom,” Political Studies Quarterly, 39: 235–54.

BREUNING, Marijke. “Role Theory Research in International Relations: State of the Art and Blind Spots,” in S. Harnisch, C. Frank, and H. W. Maull (eds.) Role Theory in International Relations: Approaches and Analyses, London: Routledge, 16–35, 2011

BRUMMER, K. and C. G. Thies “The Contested Selection of National Role Conceptions,” Foreign Policy Analysis 11(3): 273–293. 2015

CANTIR, Cristian; KAARBO, Juliet (Ed.). Domestic Role Contestation, Foreign Policy, and International Relations. Routledge, 2016.

______. Contested roles and domestic politics: reflections on role theory in foreign policy analysis and IR theory. Foreign Policy Analysis, v. 8, n. 1, p. 5-24, 2012.

GUIMARÃES, Feliciano de Sá; MAITINO, Martin Egon. Socializing Brazil into Regional Leadership: The 2006 Bolivian Gas Crisis and the Role of Small Powers in Promoting Master Roles Transitions. Foreign Policy Analysis, 2017.

HARNISCH, S. “Role Theory: Operationalization of Key Concepts,” in Harnisch, S., C. Frank, and H. W. Maull (eds.) Role Theory in International Relations: Approaches and Analyses, London: Routledge, 7–15, 2011

HARNISCH, S. “Conceptualizing in the Minefield: Role Theory and Foreign Policy Learning,” Foreign Policy Analysis 8(1): 47–69. 2012

HARNISCH, S. and Friedrichs, G. 2017. Alliances Rebalanced? The Social Meaning of the U.S. Pivot and Allies’ Responses in Northeast Asia. Korean Journal of International Studies, 15(1): 1- 39.

HOLSTI, K. “National Role Conceptions in the Study of Foreign Policy,” International Studies Quarterly, 14(3): 233–309, 1970

HUDSON, V.M. “Foreign Policy Analysis: Actor Specific Theory and the Ground of International Relations”, Foreign Policy Analysis 1(1),1-30, 2005

KAARBO, Juliet. A foreign policy analysis perspective on the domestic politics turn in IR theory. International Studies Review, v. 17, n. 2, p. 189-216, 2015.

KROTZ, U. “National Role Conceptions and Foreign Policies: France and Germany Compared,” Program for the Study of Germany and Europe Working Paper, 02:1, Cambridge, MA: Harvard University. 2002

NABERS, D. “Identity and Role Change in International Politics,” in Harnisch, S., C. Frank, and H. W. Maull (eds.) Role Theory in International Relations: Approaches and Analyses, London: Routledge, 74–92, 2011

STOLTE, Christina. Brazil’s Africa strategy: role conception and the drive for international status. New York City: Palgrave Macmillan, 2015.

TAYFUR, M. F, Main approaches to the study of foreign policy: A review. METU Studies in Development, 21(1), 113-114, 1994

TICKNER, J. A. Gendering World Politics: Issues and Approaches in the Post-Cold War Era (International Relations Series) New York: Columbia University Press, 2001.

THIES, Cameron G, Role Theory and Foreign Policy Analysis. In The International Studies Association Compendium Project, 2009

______ The United States, Israel, and the Search for International Order: Socializing States (Role Theory and International Relations); London: Routledge, 2013

WALKER, S. G., A. Malici, and M. Schafer (eds.) Rethinking Foreign Policy Analysis, New York: Routledge, 2011

WALKER, S. G.1987. Role Theory and the Origins of Foreign Policy, In New Directions in the Study of Foreign Policy. Edited by Charles F. Hermann, Charles W. Kegley, and James N. Rosenau. 269-284. London: Harper Collins.

WEHNER, L. E., & THIES, C. Role theory, narratives, and interpretation: The domestic contestation of roles. International Studies Review, 16(3), 411-436, 2014

WEHNER, Leslie E. Role expectations as foreign policy: South American secondary powers' expectations of Brazil as a regional power. Foreign Policy Analysis, v. 11, n. 4, p. 435-455, 2015.

______. Inter‐Role Conflict, Role Strain and Role Play in Chile's Relationship with Brazil. Bulletin of Latin American Research, v. 35, n. 1, p. 64-77, 2016.

WISH, Naomi Bailin. "Foreign Policy Makers and Their National Role Conceptions." International Studies Quarterly 24, no. 4, 1980.

SALOMÓN, Mónica, PINHEIRO, Leticia. Análise de Política Externa Brasileira: trajetória, desafios e possibilidades de um campo de estudos. Revs. Bras. Polít. Inter, Brasília, v. 56 n. 1, p.40-59, 2013.




DOI: https://doi.org/10.30612/rmufgd.v8i15.11531

Monções: Revista de Relações Internacionais da UFGD - ISSN 2316-8323 - Dourados - MS, Brasil.

 

Licença Creative Commons
Este obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 3.0 Brasil.