CHAMADA "DOSSIÊ: AMAZÔNIA, PALCO DE LUTAS E REFLEXÕES"

DOSSIÊ: AMAZÔNIA, PALCO DE LUTAS E REFLEXÕES

Há muitas “Amazônias” na Amazônia. Longe de esgotar a complexidade dessa afirmação, pode-se dar como exemplo: a Amazônia da maior floresta equatorial do mundo, a Amazônia dos megaprojetos de infraestrutura e mineração; a Amazônia dos povos indígenas em isolamento voluntário, a Amazônia das grandes cidades; e muitas outras dimensões.

A região é marcada por desigualdades sociais profundas, projetos de desenvolvimento intensivos em capital e violações de direitos humanos, muitas vezes diagnosticadas como dinâmicas típicas da última grande fronteira do mundo. Por outro lado, possui concepções próprias para o desenvolvimento, que ora se propõem aplicar sua ortodoxia, ora ressignificar o termo, reinventá-lo: pós-desenvolvimento e pós-extrativismo são expressões que se prestam a descrever as alternativas que vêm da Amazônia? Ou as formas locais de resistência são a própria essência do ser alter-nativo? Pode o amazônida falar sobre seus meios de produzir bem-viver e dignidade? Tanto a análise da implantação do desenvolvimento, em suas muitas abordagens, quanto o estudo dos modos de vida singulares, a resistência e a invenção de alternativas, inclusive sob a perspectiva da teorização política e jurídica, nos interessam. 

Em síntese, a Amazônia é um palco de transformações e lutas sociais e de disputas de interesses políticos e econômicos. Os acontecimentos recentes em praticamente todos os países da região (Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, apenas para ficar nos mais evidentes), oscilando entre golpes de estado de extrema-direita e respectivas resistências populares, sugerem reflexões sobre os rumos da região em termos de democracia, sustentabilidade, legitimidade e direitos. As dinâmicas humanas envolvendo a Amazônia como espaço de origem e destino de migrantes e refugiados também se apresentam como quebra-cabeças instigante para os pesquisadores do social. 

Considerando este cenário, o dossiê busca abrir um espaço para a discussão da Amazônia contemporânea, com ênfase para a agência dos diversos tipos de atores e pensadores aí situados. Desta forma, convida-se a submissão de propostas que se engajem com uma ou mais das seguintes perguntas: 

❏    Como a Amazônia se inter-relaciona com dinâmicas globais/transnacionais?

❏    De que maneira a posição mais ou menos periférica (em cada caso concreto) da Amazônia nos respectivos Estados nacionais onde está situada se reflete em situações de omissão, exploração, falta de efetividade do Estado de Direito e/ou colonialismo interno? 

❏    Qual é a relevância, para a Amazônia contemporânea, da ideia de avanço das frentes de expansão e o correspondente avanço da dinâmica exclusão/inclusão no moderno/colonial sistema-mundo capitalista?

❏    Quais aportes se pode extrair dos dados recentes sobre o equilíbrio sócio-ecológico na Amazônia para a discussão sobre a governança global do meio ambiente e do clima?

❏    De que maneira conhecimentos e cosmovisões amazônicos, oriundos de povos tradicionais, explicam/compreendem teoricamente as dinâmicas sociais, econômicas, políticas ou jurídicas contemporâneas?

❏    Quais experiências políticas e jurídicas de mobilização social na Amazônia podem contribuir para um repensar sobre a democracia?

❏    De que maneira a relação entre culturas tradicionais, territorialidades não-capitalistas e práticas de sustentabilidade socioambiental convergem para indicar a emergência  de um paradigma próprio de desenvolvimento na Amazônia?

Os artigos serão recebidos entre fevereiro e abril de 2020, exclusivamente por meio da plataforma on line do periódico:

http://ojs.ufgd.edu.br/index.php/moncoes/about/submissions#authorGuidelines  

Organização:

Prof. João Nackle Urt (UFGD)

Prof. Márcio Secco (DHJUS/UNIR)

Profª. Patrícia M. C. Vasconcellos (DHJUS/UNIR)