Melancolias espaciais em “O Suicida” de Lobivar Matos

João Carlos Nunes Ibanhez

Resumo


Trataremos nesse texto de uma única poesia intitulada “O suicida” de Lobivar Matos, compondo um quadro de ideias sobre sentidos espaciais. Esse valor numérico (uma - [1]), é a unidade máxima da poesia que se desdobra em 26 versos. “O suicida” revela o espaço Lobivariano na máxima do modernismo, sua estética adornada de um arranjo de beleza que paira no nível das Belas Artes e não esconde a podridão do mundo moderno, engolindo o “sujeito nômade” que tem sua trajetória iniciada em um ponto não que a “periférica região global”. Seu circuito geográfico vai culminar em um aprisionamento espacial, sua “cela” é o próprio mundo e as correntes que o aprisionam é a cidade nova, um ambiente superlotado de hostilidade. No vagar pelas ruas, ou na atmosfera fechada contra a externalidade, o ambiente envolvente em uma barganha recíproca com o indivíduo vai resultar em um espaço melancólico e desesperado. Em nossa análise, pretendemos dar cabo de responder duas questões nucleares: Como pode o poema que trata tanto de traços íntimos e escalas externas, dialogar com a Geografia de cunho científico? Quais são as topografias adversas que levam o sujeito a renegar o espaço e consequentemente a vida?

Palavras-chave


Suicídio. Não-lugar. Topografias adversas. Poesia. Lobivar Matos.

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DOI: https://doi.org/10.30612/el.v8i15.7293

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