Festa sobre escombros: o ato de festejar como estratégia de sobrevivência à guerra

Breno Fernandes

Resumo


Lançado pela primeira vez com apoio da UNICEF, O diário de Zlata, de Zlata Filipović, é um registro sobre a Guerra da Bósnia (1992-1995), decorrente do desmantelamento da Iugoslávia. A autora, à época, era uma pré-adolescente, habitante de Sarajevo, e é por meio de seu olhar que somos apresentados ao cotidiano da guerra, aos desafios enfrentados diariamente pelas vítimas do conflito e também às estratégias de sobrevivência que elas constroem. Dentre essas estratégias, estão a própria escrita de um diário e, surpreendentemente, a celebração de festas. Com base nessa constatação, o presente artigo propõe uma leitura da valorização que Zlata dá a essas festas, uma interpretação inspirada em conceitos caros ao trabalho de três teóricos: Georges Didi-Huberman, com a ideia de sobrevivência associada à imagem dos vaga-lumes; Michel de Certeau, atento à invenção do cotidiano; e Peter Pál Pelbart, que reflete sobre biopolítica, comunidade e o par assujeitamento/soberania.

Palavras-chave


Bósnia. Diário. Guerra. Sobrevivência. Zlata Filipović.

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DOI: https://doi.org/10.30612/raido.v12i31.7744

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